
Antes e depois na fonoaudiologia: pode publicar?
A pergunta aparece cedo para quem começa a divulgar o trabalho, e a resposta é firme: antes e depois de paciente não deve ser publicado. A razão está no sigilo, na ética da profissão e na proteção de quem confia em você.
O paciente chega em um momento delicado
Quem procura uma fonoaudióloga está lidando com uma dificuldade que afeta a comunicação, a voz ou a alimentação, e muitas vezes chega com insegurança. Essa pessoa confia que o que acontece na sessão fica entre vocês. Transformar a evolução dela em peça de divulgação quebra essa confiança.
A publicidade não pode prometer resultado
O Código de Ética da Fonoaudiologia exige sigilo sobre quem é atendido. A publicidade não pode prometer resultado: o Código de Defesa do Consumidor veda publicidade enganosa (art. 37). Uma imagem de evolução sugere que outra pessoa terá o mesmo desfecho, e essa promessa a profissão não pode fazer.
Crianças e adolescentes têm proteção reforçada
A Lei nº 15.211/2025 ampliou a proteção de crianças e adolescentes na internet. Publicar imagem de criança em conteúdo de saúde envolve risco alto, mesmo com autorização dos responsáveis, porque a exposição permanece disponível e pode ser copiada por terceiros.
Dados de saúde exigem cuidado redobrado
A LGPD (Lei nº 13.709/2018) trata dados de saúde como sensíveis. Laudo, prontuário, áudio de sessão e print de conversa carregam informação de saúde e ficam fora das redes sociais. O cuidado vale também para detalhes aparentemente pequenos, como o nome da escola ou do bairro.
Cada caso tem particularidades
Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem responder de formas diferentes à terapia. A comparação entre antes e depois desconsidera a história, a frequência das sessões e o que acontece em casa. O resultado de uma pessoa não descreve o que vai acontecer com outra.
O que responder quando pedem o antes e depois
Se uma família, uma colega ou alguém no direct pedir para você mostrar a evolução, explique com tranquilidade. O Código de Ética protege quem é atendido, e o acompanhamento pode ser mostrado de outra forma, com os objetivos e as observações do processo.
Uma resposta possível: "Eu não publico imagem de paciente, porque o atendimento é sigiloso. O que eu posso mostrar é como eu trabalho e como acompanho os objetivos com a família." A conversa educa quem perguntou e fortalece a sua autoridade.
O que usar no lugar
Existe bastante conteúdo ético para mostrar o seu trabalho:
• Explicações sobre a área, com linguagem acessível.
• Como você conduz a avaliação e a primeira sessão.
• O que a família pode esperar do processo, sem prazo e sem promessa.
• Sua formação, seu CRFa e os materiais que você usa.
• Bastidores do consultório, sem paciente na imagem.
Esse conjunto constrói autoridade e mostra competência. Quem acompanha entende como você trabalha e se sente mais seguro para marcar uma avaliação.
Perguntas frequentes
Depoimento em texto pode?
Depoimento de resultado pode ser lido como promessa de resultado e, por isso, a recomendação é evitar. Para divulgar o trabalho, prefira mostrar o processo e a sua formação.
E se o paciente autorizar a publicação?
A autorização por escrito é uma condição do Código de Ética, mas não elimina todos os riscos, especialmente em conteúdo de saúde e quando há criança ou adolescente. A recomendação segura é não publicar imagem, áudio ou relato identificável de quem você atende.
Como mostro que o meu trabalho funciona?
Mostrando como você avalia, como define os objetivos com a família e como acompanha o processo. Conteúdo claro sobre o método transmite confiança e respeita o sigilo.
Posso publicar um caso genérico, sem nome?
Pode transformar um aprendizado em exemplo geral, desde que não seja possível reconhecer a pessoa. Mude detalhes, retire qualquer informação de saúde e mantenha o texto no plano educativo.
Para divulgar com segurança
O Crescer! reúne as regras do Conselho, os limites da LGPD e os formatos de conteúdo recomendados, em forma de jogo. Você decide em situações reais e recebe a explicação na hora, com as fontes citadas ao longo do jogo.
Leia também: LGPD no consultório: o que não pode aparecer no Instagram e O que fonoaudióloga pode postar no Instagram.
Fontes
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação fonoaudiológica individual.
Sobre a autora
Amanda Alexandre é formada em Fonoaudiologia pela UFRJ (2013), com formação clínica nos ambulatórios da universidade e experiência na coordenação da equipe de Fonoaudiologia da rede pública de Itaguaí (RJ). Foi fotógrafa por 15 anos, à frente do próprio negócio, e hoje atua com comunicação e marketing para fonoaudiólogas, criando os materiais e cuidando da estratégia da Fonografy. Os conteúdos seguem o Código de Ética da Fonoaudiologia, o Guia de Conduta nas Mídias Sociais (Resolução CFFa 756/2024) e a LGPD.
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